quarta-feira, 31 de agosto de 2011

JUNTOS CONSTRUINDO A FORTALEZA BELA


Por Luizianne Lins

Uma cidade boa de se viver deve ser um desejo – e uma atitude - de todos, poder público e população. Esse é o espírito da Fortaleza Bela! A utopia de uma cidade mais justa, mais humana e mais amorosa.

Falo desse assunto hoje porque tenho visto reportagens sobre ações voluntárias de cuidado com a cidade. É uma alegria constatar que as pessoas estão se apropriando do sentimento da Fortaleza Bela. Ele está pulsando no coração dos fortalezenses!

Neste fim de semana, um grupo de voluntários realizou uma ação na Beira Mar. Além de fazer a limpeza da sujeira que muitos banhistas deixam, eles conversaram com as pessoas sobre a importância de cuidarmos da orla. É isso mesmo! Para você ter uma ideia, diariamente a Prefeitura coleta cerca de 20 toneladas de lixo na Beira Mar, com equipes de domingo a domingo. Mas para isso ser mantido é preciso o compromisso de todos de não sujar a praia.

Na semana passada, moradores do Centro se mobilizaram para pintar a Praça dos Leões, que havia sido pichada. A pichação aconteceu logo após uma grande ação de pintura da praça realizada pela Tintas Coral com apoio da Prefeitura e do Governo do Estado. A indignação dos moradores com o vandalismo impulsionou uma bela demonstração de amor pela cidade.

Da mesma forma, o Estádio Presidente Vargas, que ficou lindo após ter sido praticamente reconstruído pela Prefeitura, foi pichado. A notícia motivou a campanha Eu preservo o PV, do mandato do vereador Acrísio Sena. A ação incentiva as torcidas a zelarem por esse patrimônio público.

Ou seja, há muitos exemplos de como a população pode contribuir com a preservação dos bens públicos. Que tal estendermos esse sentimento de zelo para o Jardim Japonês, as Praças da Juventude, o Cuca Che Guevara, o Estoril, o Passeio Público, o calçadão e espigão da Praia de Iracema e outros equipamentos? O nosso governo está fazendo a sua parte, mas a missão de preservar deve ser de cada um de nós. É como afirmamos na Prefeitura de Fortaleza: juntos, construindo a Fortaleza Bela!

Luizianne Lins é jornalista e prefeita da cidade de Fortaleza

luiziannelins@bol.com.br

Fonte: Jornal O POVO 30/8/2011


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nota de repúdio ao jornalismo marrom da revista “Veja”



Na semana passada, a revista Veja sofreu uma condenação judicial. Acionada pelo deputado Vicentinho (PT-SP), a 13ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou a publicação, em processo de injúria, calúnia e difamação, a conceder-lhe direito de resposta.

Na mesma semana, a revista apareceu também no Wikileaks, Foram divulgados telegramas da embaixada americana em Brasília, dirigidos ao Departamento de Estado, nos quais afirma-se que matérias da Veja sobre o relacionamento do PT com as FARCs – incluindo o suposto financiamento de campanhas eleitorais do partido por aquela organização guerrilheira -— eram absolutamente carentes de fundamentos. O caso foi relatado pela embaixada dos EUA como um exagero, além de uma tentativa de “manobra política” patrocinada pela publicação.

Para completar o período curto de uma semana, a revista se envolve em uma série de crimes, como o de quebra de privacidade contra o dirigente petista José Dirceu. Possivelmente, Veja instalou câmeras clandestinas no corredor de um hotel onde está o apartamento que fora ocupado pelo ex-presidente do PT, bem ao estilo do jornalismo de Murdoch e talvez até com mais ousadia que seu congênere australiano. Trata-se também de uma tentativa de chantagear a Justiça.

A Bancada do Partido dos Trabalhadores alerta a sociedade e as forças democráticas para o perigo que representa uma revista de grande circulação entrar no campo da provocação e da delinquência e lembra que a defesa democracia é dever de todos.

Brasília, 29 de agosto de 2011
Deputado Paulo Teixeira-PT/SP
Líder da Bancada na Câmara

domingo, 14 de agosto de 2011

A ORFANDADE DAS DERROTAS

Por Emir Sader

Ouvindo uma intervenção em um seminário, imaginei que a pessoa que intervinha tratava de explicar porque o Brasil deu erado. Uma visão linear, em que todas as catástrofes que alguns tinham prognosticado, teriam se realizado. Nada de bom, de resgatável. Mesmo a diminuição da desigualdade seria um engano. Parecia o discurso de alguém que dizia: - “Viu? Nós, que achávamos que o governo Lula ia fracassar, ia ser uma continuidade do neoliberalismo, tínhamos razão e convencemos o povo disto, daí o fracasso do Lula. Deu tudo errado, como prevíamos, por isso o povo finalmente reconheceu que tínhamos razão, derrotou o governo e nos deu uma votação espetacular.”

Incrível, nem parecia que estamos no Brasil, que os que professam esse discurso tiveram 1% dos votos, enquanto que o Lula saía do governo com um apoio extraordinário da população e elegia sua sucessora.

Eu fico imaginando como é a cabeça, a vida, o cotidiano, a relação com o povo, com o Brasil, com o mundo, de quem ainda pensa assim. Será como Marx se referia à pequena burguesia, que sai fragorosamente derrotada das eleições, dizendo-se que o povo ainda não está preparado para seus discursos. Nunca questionam seus discursos, suas posições. É o povo que não está ainda amadurecido. Voltarão de novo, de novo, com o mesmo discurso, até que o povo entenda que eles dizem a verdade.

O que podem pensar do julgamento popular? Não aprendem com a realidade? Poderiam dizer que as eleições não refletem fielmente o que o povo pensa. Mas tampouco conseguem organizar qualquer manifestação popular com participação de um mínimo de pessoas, não constroem sindicatos ou outras formas de organização popular, vivem no maior isolamento em relação ao povo. Daí também que façam um discurso fora do mundo.

Continuam a pregar as mesmas coisas, a fazer as mesmas denúncias. Nunca se perguntam se estão errados e o povo está certo. Se esse projeto fracassou e haveria que repensar os caminhos que adotaram. Nunca se perguntam se estão desarraigados da realidade, isolados do povo, desencontrados com seus interesses. Se estão em um mundinho pequeno, frequentando mais os livros do que a realidade?

Lendo balanços da dura derrota que a esquerda portuguesa – a radical, também – sofreu nas eleições, vejo apenas a crítica do governo por parte dos setores mais radicais, sem explicar porque foi a direita que capitalizou o fracasso do governo socialista e não eles, que perderam tantos votos quanto o Partido Socialista. Se limitam à critica do governo, que teria a responsabilidade de tudo. A responsabilidade sempre é dos outros, que é a melhor maneira de não tirar lição alguma dos erros cometidos, o que significa que voltarão, nas próximas eleições, a agir da mesma maneira e, certamente, ter uma derrota anda maior.

A realidade não é somente o critério da verdade, como é implacável com os nossos erros. Por isso alguns estão vitoriosos, reconhecidos pelo povo, enquanto outros estão reduzidos a discursos fora da realidade que os rejeitou e à intranscendência.


Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=733