segunda-feira, 6 de maio de 2013

POLO DE LAZER PRAIA DO FUTURO

Por Joaquim Cartaxo



Vira e mexe, ressurge a ideia de demolir as barracas da Praia do Futuro sem considerar sua transformação, ao longo do tempo, em polo popular de lazer e entretenimento, consumido intensamente nos finais de semana por cearenses e visitantes de outros estados.
Criado e consolidado espontaneamente, sua sustentabilidade está nas barracas que alguns querem destruir sob argumentos legais ou românticos de devolver à Praia do Futuro seu ambiente dos anos 1970, quando as barracas “Cristino” e “Chez Pierre” atraiam os que se aventuravam a frequentá-la e desfrutar de suas dunas em movimento.
Imaginá-la sem barracas é surrealismo socioeconômico e cultural nos dias de hoje. Parece coisa de quem não vivenciou aquele passado, mas o considera uma maravilha; nem frequenta o presente, porém avalia-o desastroso. Melhor dizendo, não comeu e nem come caranguejo na Praia do Futuro.
Ela não é um problema urbano. É uma oportunidade com o desafio de melhorar suas condições socioambientais, econômicas e culturais, bem como superar as carências de infraestrutura e equipamentos do bairro.
Passo importante na direção de vencê-lo é pactuar com os sujeitos políticos, sociais e do setor privado um plano urbanístico com ações e projetos, segundo prioridades de execução.
De imediato, pode-se propor demolição das barracas em ruínas e as abandonadas seguida da urbanização das áreas em que estavam construídas, visando aos frequentadores da Praia do Futuro segurança e conforto.
Outra medida: proibir a construção de mais barracas e as que ficarem será permitido apenas realizarem melhorias necessárias ao desempenho adequado de suas funções comerciais de equipamento de entretenimento. Portanto, não poderão ampliar sua área construída.
Em suma: limita-se número de barracas, demarca-se áreas construídas e cria-se novas áreas livres urbanizadas, solidifica-se o polo de lazer do bairro Praia do Futuro em vez de destruí-lo.


Joaquim Cartaxo é arquiteto urbanista e vice-presidente do PT/Ceará

Fonte: jornal O POVO



domingo, 5 de maio de 2013

O LUGAR DA MAIORIA


Por Paulo Moreira Leite



Depois que até o ministro Joaquim Barbosa denunciou a falta de pluralismo da imprensa brasileira e admitiu sua tendência "à direita," os cidadãos de têm mais um argumento para repensar o que se passa no país.


É preciso ter a coragem de entender que o Brasil ingressou numa fase mais aguda de conflito político, real e duradouro, que irá se prolongar até o final de 2014 e a sucessão presidencial.

E atenção. Caso as urnas confirmem aquilo que dizem as pesquisas de opinião, hoje, nem mesmo a vontade soberana do eleitorado pode ser suficiente para resolver esse conflito e garantir o retorno a um ambiente de paz política e respeito constitucional.


Isso porque assistimos a uma luta que, com o passar dos anos, e sucessivas derrotas da oposição, transformou-se, mais uma vez, numa luta contra a democracia. Não vamos nos iludir. As filigranas jurídicas não estão em debate.


O que se questiona hoje é o lugar da maioria, o direito da grande massa de brasileiros ter a ultima palavra sobre os destinos do país.


A questão é o Poder de Estado, a possibilidade de retrocesso ou de novos avanços no lento, modesto mas real processo de mudanças iniciado a partir de 2003, que envolveu a sexta maior econômica do planeta e o destino de uma região cada vez mais relevante no planeta, a América do Sul.


A fraqueza até agora insolúvel da oposição, sua dificuldade em convencer a maioria da população a lhe dar seu voto explica os movimentos cada vez mais ousados, as denúncias, os ataques sem fim.


Não é de estranhar uma nova radicalização conservadora nas últimas semanas, capaz de envolver personalidades com passado democrático, como Pedro Simon, e mesmo personalidades com um passado digno de um presente melhor, como Marina Silva, capaz de ir à TV dizer obrigado a Gilmar Mendes, tornando-se a primeira candidata presidencial a agradecer a um ministro do STF como se tivesse recebido um favor.


Apesar da agitação em torno de eventuais presidenciáveis, novos, antigos e velhíssimos, a situação não mudou, pelo menos até agora.


A grande maioria do eleitorado continua dizendo monotonamente que está satisfeita com o que vê em sua casa e em seu destino. Pode ser tudo ilusão de ótica. Quem sabe seja puro marketing. Pode ser que tudo fique diferente até 2014.


Agora, isso não importa.


Os números estão ali, seja nas pesquisas encomendadas pelo governo, seja naqueles a que tem acesso a oposição. E este é o dado real, que alimenta cálculos e projetos.


Como uma porta-voz da própria imprensa com tendência “de direita”, nas palavras de Joaquim Barbosa, já admitiu, em 2010, o que se quer é dar oxigênio a políticos e concorrentes que não conseguem andar pelas próprias pernas.


É assim que os  lobos vestem elegantes ternos de cordeiro sem que ninguém se pergunte pelo trabalho dos alfaiates. Mentiras nem precisam ser repetidas mil vezes para se transformar em verdades. Basta que sejam embelezadas de modo falacioso e permanente. Basta que o veículo X repercuta o que disse o Y e que nem A, nem B nem C tenham disposição para conferir aquilo que disse Z – como é, aliás, tradição da imprensa brasileira com tendência “à direita” desde 1964, quando jornais e revistas se irmanaram para denunciar a subversão e a corrupção do governo Goulart.


E aí chegamos ao calendário atual da crise, ao batimento cardíaco de maio de 2013. Ameaçada, pela quarta vez consecutiva, de se mostrar incapaz de chegar ao governo pelo voto, o que se pretende é uma mudança pelo alto, sem o povo como protagonista – mas como espectador e  sujeito passivo.


Faz-se isso como opção estratégica, definida, concebida de modo científico e encaminhada com método e disciplina.


Num país onde o artigo 1 da Constituição diz que todo poder emana do povo, que o exerce através de representantes eleitos ou diretamente, procura-se colocar o STF em posição de supremacia em relação aos demais poderes.


Como se sua tarefa não fosse julgar a aplicação das leis, mas contribuir para sua confecção ou até mesmo para  bloquear leis existentes, votadas e aprovadas de acordo com os trâmites legais.


O STF vem sendo estimulado a tornar-se guardião da agenda conservadora do país, construindo-se  como fonte de poder político, acima dos demais.


Assume um ponto de vista liberal quando debate assuntos de natureza comportamental, como aborto e células tronco. Mantém-se conservador quanto aos grandes interesses econômicos e políticos.


Sua agenda dos próximos meses envolve muitas matérias de natureza econômica e o papel do Estado na economia.  Até uma emenda constitucional que cria subsídios ao ensino privado já chegou ao tribunal. A técnica sem-voto é assim. Já que não se tem força para chegar ao Planalto nem para fazer maioria no Congresso, tenta-se o STF – e azar de quem  tem voto popular. A finalidade é paralisar quem fala pela maioria.


No debate sobre royalties do petróleo, que, mesmo de forma enviesada, traduzia uma forma de conflito entre estados ricos e estados pobres, impediu-se o Congresso de exercer suas funções constitucionais. No debate sobre fundo partidário e tempo na TV, o risco de deixar a oposição sem um terceiro nome para tentar garantir o segundo turno inspirou o PSB, oposicionista, a pedir uma liminar que impede a votação de uma lei que cumpria absolutamente todas as exigências legais para ser debatida e votada. Concordo que a lei em questão pode ser chamada de casuística.  Sou contra restrições à liberdade de organização de partidos políticos, ainda que possa lembrar que o debate, no caso, não envolve risco de prisão para militantes de partidos não autorizados, como no passado, mas TV e $$$ público, mercadorias que não caem do céu.


Sem ser ingênuo lembro que nessa matéria o ponto de vista contrário também está impregnado do mesmo defeito.


A liminar beneficia a oposição em geral e uma presidenciável em particular, que tenta encontrar-se num terceiro  partido político em menos de uma década. Até agora nem conseguiu o numero de mínimo de filiados para montar a nova legenda. Jornais informam que está recorrendo a políticos de outros partidos que, aliados no vale-tudo para o segundo turno, tentam  dar uma mãozinha emprestando eleitores de seu próprio curral. Não é curioso?


O que se quer é atribuir ao Supremo funções que estão muito além de sua competência nos termos definidos pela legislação brasileira. Não adianta lembrar de países desenvolvidos como se eles fossem a solução para todos os males.


Até porque isso não é verdade. Para ficar num exemplo recente e decisivo. Ao se intrometer nas eleições de 2000 nos EUA, impedindo que os votos no Estado da Florida fossem recontados e conferidos pelos organismos competentes, a Suprema Corte republicana deu vitória a George W. Bush – empossando, com sua atitude, o pior governo norte-americano desde a independência, em 1776.


Inconformado com a decisão da Suprema Corte, o democrata Al Gore chegou a resistir por vários dias, recusando-se a reconhecer um resultado que não refletia a vontade popular. Acabou pressionado a renunciar e retirou-se da cena política. Alguém pode chamar isso de vitória da democracia? Exemplo a ser seguido?


Em situações como a do Brasil de hoje, a atuação dos meios comunicação ajuda a criar mocinhos e bandidos, permite desqualificar o adversário e impedir que todas as cartas sejam colocadas à mesa.


O vilão da vez, como se sabe, é o deputado Nazareno Fontelles, do PT do Piauí, autor da PEC 33, que, com base na soberania popular, garante ao Congresso a ultima palavra sobre as leis que vigoram no país.


Fontelles já foi chamado de “aloprado” e até de ser um tipo que faz “trabalho sujo”, além de outras barbaridades feias e vergonhosas, que servem apenas para abafar o debate político e esconder pontos importantes – a começar pelo fato de que o relator da PEC 33 foi um deputado tucano. (Este seria o que?)


Desmentindo outra mitologia sobre o tema, de que Fonteles produziu uma resposta ao mensalão, evita-se lembrar que o texto é de 2011, quando o julgamento sequer havia começado.


Conheço juristas de peso que têm críticas a PEC 33. Outros lhe dão sustentação integral.


O debate real é a soberania popular. E é desse ponto de vista que a discussão sobre a PEC 33 deve ser feita.


A pergunta, meus amigos, é simples. Consiste em saber quem deve ter a palavra final sobre os destinos do país. Vamos repetir: a Constituição diz, em seu artigo 1, que todo poder emana do povo, que exerce através de seus representantes eleitos ou mesmo diretamente.


Até os ministros do Supremo são escolhidos por quem tem voto. O presidente da República, que indica os nomes. O Senado, que os aprova.


Quem não gosta deste método de decisão deveria comprar o debate e convencer a maioria, concorda?


Paulo Moreira Leite, desde janeiro de 2013, é diretor da ISTOÉ em Brasília. Dirigiu a Época e foi redator chefe da VEJA, correspondente em Paris e em Washington. É autor dos livros A Mulher que era o General da Casa e O Outro Lado do Mensalão.

Fonte: http://www.istoe.com.br

AS OPOSIÇÕES E SEUS TEATROS







Por Marcos Coimbra


É possível que as oposições brasileiras tenham, de si mesmas, uma péssima imagem. E que seus porta-vozes uma ainda pior. Haveria outra razão para que cobrem, do governo e das lideranças petistas, comportamentos aos quais nunca se sentiram obrigadas? Que clamem aos céus quando seus adversários fazem o que sempre foi sua marca registrada?

Por que só o governo e os petistas pecariam ao fazer como elas? Qual o motivo de denunciá-los, se suas práticas, em tantos momentos, foram iguais? Só pode ser porque, do PT, esperavam mais. Porque, no fundo, no fundo, achavam que o PT deveria ser diferente delas.

Por ser formado por pessoas mais idealistas e menos conspurcadas pelos velhos vícios de nosso sistema político, o PT não deveria agir do mesmo modo. O que seria admissível para elas, considerando uma compreensível falta de escrúpulos, seria indesculpável em um petista.

Há, no entanto, outra hipótese. Talvez não seja uma espécie de pundonor envergonhado que as leve a exigir do PT que seja o que elas não conseguem ser. Talvez seja puro cinismo. Se, por decência, o PT não deveria fazer o que elas fazem, seriam elas as indecentes. Se, ao contrário, não era condenável o que fizeram quando estavam no poder, exigir que o PT deixasse de fazê-lo quando chegasse a sua vez chegaria a ser desfaçatez.

Tomemos, como ilustração, o debate dos últimos meses sobre a “antecipação” da eleição presidencial de 2014. O responsável por tê-la deflagrado seria Lula, ao afirmar que Dilma Rousseff é a candidata natural do PT na sucessão do ano que vem.

Nove em dez lideranças oposicionistas passaram a “denunciar” o gesto do ex-presidente, como se tivesse dito algo além do evidente: que Dilma faz um bom governo e tem todo o direito de buscar a reeleição. Os funcionários da mídia ligada à oposição, achando que faziam “jornalismo crítico”, engrossaram o coro de repúdio à “antecipação”.

Em primeiro lugar, a própria ideia faz pouquíssimo sentido. Reclamar da “antecipação” implica acreditar que exista uma “hora certa” para que o eleitorado de um país possa começar a discutir seu futuro. Que, até lá, todos deveriam ser proibidos de tratar do assunto.  Quem ouviu a grita das lideranças oposicionistas e da “grande imprensa” pode ter pensado que nunca tínhamos tido a “antecipação” que questionaram. Que, antes de Lula “antecipar” a eleição de 2014, as anteriores aconteceram em sua “hora natural”.

Mas o fato é que a mais radical “antecipação” de uma eleição presidencial em nossa história aconteceu no governo tucano. Mais precisamente, quando Fernando Henrique Cardoso levou a maioria parlamentar que o apoiava a aprovar uma emenda constitucional que lhe dava o direito de pleitear um segundo mandato. Exposto o interesse do Planalto na emenda da reeleição e revelados os bastidores da atuação de seus operadores para fazê-la passar no Congresso, ficou evidente que FHC era candidato a permanecer no cargo. Tanto que estava disposto a pagar para ter o direito de disputá-lo.

O que significa dizer que a eleição de 1998 começou, oficialmente e em razão do comportamento e das declarações do presidente da República e de seus assessores, quase dois anos antes da hora. Se alguém quisesse falar de “antecipação”, melhor exemplo que esse não haveria.

Algo semelhante ocorre em relação a outra “denúncia” oposicionista, de que Dilma, após lançada “precipitadamente” sua candidatura, estaria “usando o governo” com “fins eleitoreiros”.  O momento mais extraordinário de “uso eleitoral do governo” em uma sucessão presidencial moderna no Brasil ocorreu na eleição de 1994, a primeira vencida por FHC. Mas todas as manifestações recentes das oposições, aparentemente, o esquecem.

Existiria exemplo de uso eleitoral do governo maior que o lançamento do Plano Real em 1994? Seria possível fazer mais que implantar um programa anti-inflacionário em um cronograma fixado de forma a coincidir com o calendário eleitoral?

De teatro em teatro, o que as oposições partidárias e a direita midiática pretendem é atar as mãos do governo e do PT, impedindo que faça o jogo político dentro das regras que elas próprias escreveram. Na verdade, não é por autocrítica ou cinismo que fazem assim. É apenas por esperteza.


Fonte: www.cartacapital.com.br

quinta-feira, 2 de maio de 2013

NEGÓCIO DA TROCA


Quase que diariamente, se assiste notícias sobre o “comércio ambulante” das grandes cidades relatando conflitos entre os comerciantes dessa atividade econômica e agentes de fiscalização e controle em sua lida de aplicar as posturas municipais. Esses agentes, em determinado dia, retiram essa atividades de logradouros públicos e, no outro dia, ela está de volta. Isso é comum nos centros antigos dessas cidades.
Metaforicamente, parecem realizar um trabalho de Sísifo, aquele da mitologia grega condenado a empurrar sem descanso, até o alto de uma montanha, uma enorme pedra que rola encosta abaixo para que o herói mitológico descesse em seguida até o sopé e empurrasse novamente o rochedo até o alto.
O comércio ambulante ou lojista é uma atividade econômica de troca, portanto uma atividade social dado que requer o encontro de pessoas com bens e serviços para realizarem suas trocas. Anota a arquiteta Heliana Comin Vargas em seu livro Espaço Terciário que “o ato da troca pressupõe a conversa para que o negócio seja efetivado”. E mais: a troca resulta da necessidade ou do desejo pessoal por um bem, que será uma boa negociação ao satisfazer vendedor e comprador em sua conclusão.
Qualquer que seja, formal ou informal, a atividade comercial buscará pontos favoráveis a encontros, portanto lugares onde ocorram e que congreguem atividades sociais pelos mais diversos motivos; logo, são locais que atraem fluxos de pessoas em busca de realizar seus interesses e necessidades religiosas, políticas, de entretenimento e culturais, dentre outras.
Tentar eliminar o comércio ambulante contraria a história do comércio que registra como sua primeira expressão coletiva a feira. Assim, considerar o comércio ambulante solução em vez de problema é condição prévia para reconhecer sua importância social e econômica na dinâmica do desenvolvimento urbano, pois o mesmo é real e o segredo do negócio, talvez.

Joaquim Cartaxo é arquiteto e mestre em planejamento urbano e regional. 

Fonte: jornal O POVO






quarta-feira, 1 de maio de 2013

1⁰ DE MAIO: PT COM OS TRABALHADORES HOJE E SEMPRE

 
Por José Guimarães

Foi preciso que o povo elegesse um operário para o cargo de presidente da República para que o Brasil crescesse com distribuição de renda, com inflação controlada e sem dívida externa

Neste 1º de maio, Dia Internacional do Trabalhador,  o povo brasileiro tem muito o que comemorar. No contrafluxo da crise econômica eclodida em 2008 nos países centrais, o Brasil, graças às políticas do governo do PT e aliados, tem conseguido manter o nível de emprego em níveis recordes, com ampliação da massa salarial concomitantemente com um conjunto de ações que têm garantido o combate às desigualdades sociais e regionais de forma crescente e contínua.


A título de comparação, citemos a Europa. A Espanha, governada pelos tucanos locais, bate recorde de desemprego, outros países europeus enfrentam uma crise sem precedentes, e, no Brasil,  o IBGE apura a menor taxa para março em 12 anos: a taxa de desocupação ficou em 5,7%, a menor para o mês de março desde o início da pesquisa, em 2002. Há um ano, a taxa era de 6,2% e essa diferença, na prática, quer dizer que mais pessoas foram contratadas com carteira assinada do que demitidas. Em março de 2003, início do primeiro mandato do ex-presidente Lula, essa taxa de desocupação era de 12,1%. O governo Lula, em oito anos, gerou 15,3 milhões de empregos, ante os  5 milhões do período FHC. Somados aos empregos gerados no governo Dilma Rousseff, o governo do PT  já  criou 19 milhões de novas vagas em dez anos.


Desde 2003, o rendimento cresce constantemente em razão de um modelo que alia o crescimento econômico, o controle da inflação, a geração de empregos e uma melhor distribuição de renda. Não é à toa que a distância entre os mais ricos e os mais pobres é encurtada pouco a pouco e isto significou em 10 anos dos governos petistas a ascensão para a classe média de 40 milhões de pessoas. E mais de 20 milhões de pessoas foram retiradas da miséria. O Brasil é hoje o país que mais distribui renda em todo o mundo, tornando-se referência mundial no combate às desigualdades sociais.


Foi preciso que o povo elegesse um operário para o cargo de presidente da República para que o Brasil crescesse com distribuição de renda, com inflação controlada e sem dívida externa. Ao longo dos governos Lula e na primeira metade do de Dilma, o salário mínimo, em valores reais, dobrou. Expresso em dólar, o salário mínimo em maio de 2003 valia U$ 76,68, hoje ele vale U$ 343,00. Em maio de 2003, com um salário mínimo se comprava 1,68 cesta básica; hoje, pode-se comprar  3,08 cestas básicas.


TRANSFERÊNCIA DE RENDA – É preciso enfatizar a importância do salário mínimo, um instrumento essencial para a distribuição de renda e justiça social, mas os governos Lula e Dilma podem ser vistos de diferentes formas. Uma delas é essa:  colocou –se a questão da igualdade social no centro da agenda política nacional. As grandes políticas sociais de transferência de renda; de expansão do emprego e da renda, além do controle da inflação e da expansão do crédito, reduziram a pobreza, possibilitaram uma grande mobilidade social (40 milhões de pessoas ascenderam à classe média), impulsionaram o mercado interno de massas e o crescimento da economia, conforme ensina o economista José Prata Araújo.


Completamos em 2013  dez  anos  de Governo Democrático e Popular. As conquistas foram superlativas em todos os campos, mas, do ponto de vista do trabalhador,  os avanços foram espetaculares, a começar com o rompimento com o modelo neoliberal do PSDB e de seus aliados, que privilegiava o grande capital em detrimento da maioria da população. Com Lula e depois com Dilma, pudemos provar que um outro Brasil é possível, com mais justiça social, com igualdade de oportunidades a todos e a transformação do País numa potência econômica, baseada no crescimento sustentável e na justiça social.


Nesses dez anos, além da criação dos 19 milhões de novos empregos com carteira assinada e a garantia de uma política de valorização permanente do salário mínimo, instituímos programa inovadores como o Bolsa Família, o Luz para Todos, o Brasil sem Miséria, expandimos a rede de universidades federais e a de escolas técnicas. As políticas em beneficio dos trabalhadores abrangem apoio à agricultura familiar, a recuperação da Previdência Social. E avançamos também com a promulgação daemenda constitucional 72/2013, que amplia os direitos trabalhistas das empregadas e empregados domésticos. Corrigiu-se um erro constitucional – parágrafo único do artigo 7º - que retirava direito dos trabalhadores domésticos em relação às demais categorias. O Brasil se tornou uma referência internacional em relação aos direitos dos trabalhadores domésticos, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho). Uma conquista histórica relatada pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ).


PADRÃO DE VIDA - Os avanços para a classe trabalhadora foram conquistados graças à determinação e à coragem de romper com modelos ortodoxos, que ainda continuam como norte dos neoliberais, que defendem um Estado mínimo e a vida das pessoas ao sabor do chamado "livre mercado". Com o PT, resgatamos o papel do Estado como regulador e indutor do desenvolvimento.  Não é à toa que o Brasil, em contraste com um leque de países,  chegou à liderança como país que melhor aproveitou o crescimento econômico alcançado nos últimos cinco anos para aumentar o padrão de vida e o bem-estar da população. Destacou-se entre 150 países, segundo 51 indicadores coletados em diversas fontes, como Banco Mundial, OCDE e FMI, de acordo com levantamento da consultoria Boston Consulting Group (BCG).


Temos inúmeros desafios pela frente, como garantir a jornada de trabalho de 40 horas semanais, sem redução dos salários. Temos que nos preservar da turbulência internacional e garantir a continuidade de nosso crescimento econômico, que garante empregos e renda para a população brasileira.  Mesmo assim, a despeito dos agourentos de plantão, que não veem os inúmeros avanços, o  Brasil é uma pais que está no rumo certo.  Temos o reconhecimento popular, e, mesmo com a má vontade de setores da mídia, que insistem em pintar um quadro negativo, sem nenhuma base na realidade, o trabalhador tem muito o que comemorar.


Vamos seguir em frente, para transformar  o Brasil em uma nação verdadeiramente democrática, justa e fraterna. Temos todas as condições para que possamos nos tornar uma liderança mundial e uma referência mundial para o conjunto dos trabalhadores do planeta.   Afirmo com plena segurança que o PT tem condições de olhar nos olhos do povo brasileiro e dizer: Estamos caminhando para alcançar os objetivos que nos propusemos.


São essas considerações que nos permitem afirmar que, neste lº de Maio, os trabalhadores têm o que comemorar. E também sustentar que o PT , à frente do governo federal,  soube honrar a memória e os compromissos de seus mortos que tanto lutaram pela democracia e por um país justo. O Partido  dos Trabalhadores prossegue na batalha em torno de tarefas como a geração de empregos, melhores salários,  redução da jornada de trabalho e ampliação da reforma agrária,  na preparação de um mundo melhor, para os que ainda irão nascer.


É para esta tarefa que convidamos todas as forças democráticas e progressistas presentes no cenário nacional a se unirem, reforçando o projeto de construção de um  país à luz do interesse nacional e do povo brasileiro.  O 1º de Maio é uma oportunidade para saudarmos os trabalhadores    e refletirmos sobre os grandes desafios de nosso País. Sem medo de sermos felizes!


José Guimarães é deputado federal pelo estado do Ceará e líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados










1⁰ DE MAIO: dia de comemorar as lutas do povo trabalhador por melhores condições de vida e trabalho.

Minha homenagem às trabalhadores e aos trabalhadores com a postagem das PERGUNTAS DE UM OPERÁRIO LETRADO, poema de Bertold Brecht, e a foto de OPERÁRIOS, obra da artista plática Tarsila do Amaral. Joaquim Cartaxo

 

PERGUNTAS DE UM OPERÁRIO LETRADO
Por Bertold Brecht


Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas